quinta-feira, 26 de março de 2009

Canção do Sonho Acabado

Já tive a rosa do amor
- rubra rosa, sem pudor.
Cobicei, cheirei, colhi.
Mas ela despetalou
E outra igual, nunca mais vi.
Já vivi mil aventuras,
Me embriaguei de alegria!
Mas os risos da ventura,
No limiar da loucura,
Se tornaram fantasia...
Já almejei felicidade,
Mãos dadas, fraternidade,
Um ideal sem fronteiras
- utopia! Voou ligeira,
Nas asas da liberdade.
Desejei viver. Demais!
Segurar a juventude,
Prender o tempo na mão,
Plantar o lírio da paz!
Mas nem mesmo isto eu pude:
Tentei, porém nada fiz...
Muito, da vida, eu já quis.
Já quis... mas não quero mais...

Cecília Meireles

7 comentários:

Bellatrix disse...

"Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer".

Clarice Lispector
...

Apenas trazendo mais uma mulher brilhante para iluminar seu blog, e se vc reparar bem nos dois textos, vai perceber como eles se complementam de forma impressionante. E eu simplesmente fico a pensar: Meireles e Lispector me entenderiam... Bjks! Bellatrix :)

Iaiá disse...

A Cecília fala do amor como um alívio que um dia desses não precisou mais aliviar. E a Clarice fala do amor como um martírio que um desses ela decidiu não se martirizar mais. Será que ela conseguiu um amor-alívio? O alívio de uma dor, de uma saudade. Olha, Clarice era menos passional. Tenho uma entrevista dela em 3 blocos, excepcional. Ela não deixava o remédio matar o paciente, saía fora antes. Cecília, sei não...rs!
Beijos!!!

Bellatrix disse...

Não sei, amiga. Tenho um ponto de vista distinto. Acho que Clarice, para mim, simplesmente desistiu, através da poesia, de lutar pelo amor, pela vida, pelos sonhos... Não sei se isto alivia ou faz sofrer mais. Você pode deixar de lutar, mas não deixa de sofrer. Para mim, não é um alívio, é justamente o sofrimento de ter desistido e não amar (e não ser amada). Meireles para mim era passional, só que de forma mais doce, leve, branda, suave. Lispector, para mim, era muito mais passional, sendo mais cortante, direta, irreverente, pelos menos em suas palavras ela sempre demonstrou mais coragem e intensidade. Lispector fala do sonho perdido, do amor que não se teve, mas que não diste de encontrar. Segue em frente. Não acho que ela fugia dos remédios, ela gostava mesmo era dos venenos mais fortes... rsrs! José Castello, biógrafo e escritor, na época trabalhando no jornal "O Globo", trava então o seguinte diálogo com Clarice:

J.C. "— Por que você escreve?
C.L. "— Vou lhe responder com outra pergunta: — Por que você bebe água?"
J.C. "— Por que bebo água? Porque tenho sede."
C.L. "— Quer dizer que você bebe água para não morrer. Pois eu também: escrevo para me manter viva."

Acho que elas concordavam mesmo neste ponto: escreviam para manterem-se vivas. Vivas para si mesmas, para a Literatura, para as gerações seguintes.E não é que conseguiram? São simplesmente inesquecíveis.
Acredito que as obras de Clarice e Cecília ultrapassam qualquer tentativa de classificação. Que a amemos da forma como viveram e escreveram e pelos exemplos de mulheres que foram. Beijos!

Iaiá disse...

Então, vc disse tudo!

Mas o veneno mais forte não mata o paciente - é para deixá-la mais viva!

Olha esse do Quitana:

"Respira!

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.

Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado."

Beijos!!!!!

Bellatrix disse...

Concordo plenamente contigo, querida amiga. E sobre Quintana, amei. É um deleite para a alma! Beijos!!!!

Zé disse...

Oi Iaiá!, saudades! Bem, entrando nesse debate, só me ocorre Vinícius de Moraes/Baden Powell:
Pra que chorar
Se o dia vai raiar
E o sol já vai aparecer
Pra que sofrer
Se há sempre um novo amor
Antes de o sol se pôr
Pra que chorar se existe amor
A questão é só de dar
A questão é só de dor
Quem não sofreu
Não pode imaginar
O que é perder um grande amor
Pra que chorar
Pra que sofrer
Se há sempre um novo amor
Em cada novo amanhecer
Pra que chorar
Pra que sofrer
Se há sempre um novo amor
Em cada novo amanhecer
Pra que chorar
Se o dia vai raiar
E o sol já vai aparecer
Pra que sofrer
Se há sempre um novo amor
Antes de o sol se pôr
Prá que chorar se existe amor
A questão é só de dar
A questão é só de dor
Quem não sofreu
Não pode imaginar
O que é perder um grande amor
Pra que chorar
Pra que sofrer
Se há sempre um novo amor
Em cada novo amanhecer
Pra que chorar
Prá que sofrer
Se há sempre um novo amor
Em cada novo amanhecer

Bellatrix disse...

"Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida. Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo(...).

O dinheiro não era nada, o poder não era nada. Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.

A beleza não era nada. Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.

Também a saúde não contava tanto assim. Cada um tem a saúde que sente.

Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.

A felicidade é amor, só isto.
Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente amar."

Hermann Hesse
...
Caríssimos, amemos. Se fomos ou não amados da maneira como gostaríamos, se erramos ou acertamos ao tentar, o que importa é que jamais desistamos de amar. Que amemos da melhor maneira possível, que aceitemos as limitações do outro e que busquemos antes de tudo o amor-próprio. Quem se ama, não faz do namorado(a) ou marido(mulher) uma bengala pra vida, depositando nele(a) todas as suas amarguras e frustrações. Faz dele(a) um parceiro pra todos os momentos, a pessoa da sua vida. Quem aprendeu a se dar valor, com certeza, saberá fazer isto também quando encontrar a pessoa certa. Jamais percam a esperança. Jamais deixem de amar. Bjks! Bellatrix.