domingo, 28 de outubro de 2007

Jaqueta


Não há nada melhor na vida que essa essência de flor que desperta na tua jaqueta... Ah, Iaiá... Visto teu abraço até nos dias quentes...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Paixões

Filho, Amigos, Família
Parto Natural e Parteria
Música, Danças, Arte Marcial
Chocolate, Jornaleiro, Padaria
Cultura, Comida Japonesa
A Feira dos Paraíbas
Saladas, Sanduiche Natural
Tudo no Mundo Virtual
Trilhas, Mergulho, Corrida
Praia e Montanha, Viagens
Natureza e Naturismo
Santa Teresa e Capoeira
Pastel, Caldo de Cana e Sorriso
Pandeiro, Roda de Samba e Chorinho
Papo Inteligente e Filosofia
Psicanálise e Psicologia
Sebos, Lapa e Boemia
Arte, Cinema e Choppinho
Carnaval, Blocos, Marchinhas
Literatura, Livraria
o Maracanã, o Flamengo e o Rio
A Rede Parto do Princípio
Um Caderno, um Computador
Uma Saudade, uma Nostalgia
Um Punhado de Lápis de Cor
Devaneios, Poemas, Poesias

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Amanhecer

Não precisa amanhecer
O sol pode dormir para sempre
Para trás das montanhas
No fundo de um mar indiferente
Pois, para quê as ondas?
Para levar e trazer as mesmas conchas?
Pode parar o vento
As flores não vão se abrir
Nada vai acontecer
E as árvores não darão frutos hoje...
Para quê amanhecer?

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Inspirações

Apreciava com olhos infantis o inerente talento para o inacreditável que
costumava privilegiar as minúsculas criaturas. Admirava ainda mais os poetas, que com a tamanha sutileza de suas pequenas poesias abriam baús de segredos já esquecidos, nos sótãos da sua meninice. Era o suficiente para se entregar aos prazeres prolongados e intensos, que a arrebatavam pelas tardes e pelos sonhos das noites seguintes. Depois suspirava de olhos fechados, agradecida e satisfeita. Era primavera e seus jardins floresciam de inspirações. Se tivesse oportunidade, explicaria aos caracóis de Guimarães Rosa... Para invadir as casas alheias - sem pedir mil desculpas - somente através dos perfumes das flores desses sedutores ladrões de mistérios da alma.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Falta de Armas


Dois caracóis chocaram, de leve, as suas casas, e mexeram tentáculos, um dia inteiro, pedindo-se mil desculpas.

João Guimarães Rosa - Magma - p.74

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Ponto final

Instalou-se a TV
O DVD
O aparelho de som.

Instalou-se a saudade
E a dificuldade
De um ponto final

domingo, 14 de outubro de 2007

Sagrado

Ele era daqueles que tomavam sorvete e, sem perceber a boca lambuzada, continuavam conversando sem se incomodar. E ela não, não deixava nem rastro. Tomava o sorvete, que pingava no colo, no tapete, escorria por entre os dedos, e ela lambia os dedos, esticava a língua enxugando em torno da boca, quase na ponta do nariz. E quando acabava, danava a lamber os lábios dele. Casavam certinho. Quase um pacto, um acordo tácito. A hora do sorvete era sagrada.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Inquietante

Manifestava há tempos o inquietante pulsar da vida, diante de certezas como a de que jamais lerá todos os livros. Mas ignorava o óbvio, o pulsar era pungente. O tempo corria, ela saiu de casa apressada. Como se pudesse sorver o mundo naquela manhã.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Aniversário da Elite

- Filho, já sabe qual vai ser o super-herói do seu aniversário esse ano?
- Capitão Nascimento, mamãe!

Fanfarrices à parte, digamos que Capitão Nascimento é isso: uma espécie de Capitão América. Só que sem orgulho da bandeira. E de luto.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Lince


Gato selvagem
Língua, saliva e os dentes
Os olhos de lince


sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Olhos

Daqueles olhos que me contam das saudades, que por não se conterem se fogem pelos cantos, escapam às beiras. São olhos de uma doçura triste mas firme que cerram em sensações e se entregam eternamente em suas íntimas releituras a fim de saciar, inútil, sua sede, seu desejo, seu orgulho, seu incêndio.

Palcos



Vou continuar, é exatamente da minha natureza nunca me sentir ridícula, eu me aventuro sempre, entro em todos os palcos


Clarice Lispector
Perto do Coração Selvagem ao som de “Clariô” Gal Costa 70’s

Portas


Minha chave, tua porta.
E um desejo sem fim de escancarar-te.

Tédio


No congelar dos tempos onde dormem as criaturas imortais, me entorpece a leve angústia da iminência.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Poder

Não podia mensurar o poder que tinha nas mãos, mas conscientizara-se da sua existência sólida e permanente. Embora não soubesse ao certo o que fazer com ele, e talvez nem o quisesse tanto, mesmo se cercada daquelas incertezas de outrora que tanto lhe pertubaram a mente nos minutos que antecederam seu sono. Mas após suas doses diárias de conhecimento e suas horas de devaneios, aprendera a ter a idéia clara da sua unicidade quando afastava-se de si mesma para amenizar suas peculiaridades. Enxergava-se peça, parte, espécie. Não havia mais o mundo para si, acabara por se misturar toda a ele, entre seus iguais dos quais poderia sentir qualquer movimento. Podia dançar com eles. Eis seu poder inerente.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Desacertos


Todo fim de tarde, me sorria leve querendo saber dos meus desacertos. Brotava tímida aquela sede de aprender a desacelerar o tempo e a andar tranquila no sentido contrário do mundo. Desacertar é um dom - pensava consigo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Onda

Não tem onda grande que meta medo assim, iaiá. E nem tempestade forte. Não tem, porque onda é espuma na areia e tempestade é esse punhado de furinhos nela. E o vento, olha lá, é essa dança bonita dos coqueiros! É, eu sei. Ficou assim bem depois que o mar entrou todo dentro dessa concha, ouve.

Nós


Aquieta sem ardil, jogos ou estratagemas. Aguarda o desatar lento de nós. Daquele jeito que a gente sabe que acontece, mas nem por isso cansa de ficar olhando. Que nem final de novela das oito. Que nem imagem da queda das torres gêmeas, todo onze de setembro.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Além

Nas fronteiras que me separam do mundo, onde não há lugar para as gentilezas etéreas, basto-me. Me preencho de todos os vazios além das absolutas incertezas que me habitam por dentro. Além do riso de agora que eu me acho e me ultrapasso e me venço de todas as barreiras de onde eu não quero e não preciso ir; além do que eu sou e do que eu não sou mais; além de mim e da minha inteireza original. É a completude infinita na coragem que é a ausência das minhas defesas. A descoberta e a invasão súbita. É a concretude. É o reencontro.