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domingo, 5 de abril de 2009

Nascer

"Quem quiser nascer tem que destruir um mundo; destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a conseqüente dolorosa busca da própria razão do existir: ser é ousar ser."

Demian
Hesse, Hermann
http://www.duplipensar.net/george-orwell/2004-12-demian-hesse-1984-orwell.html

quinta-feira, 26 de março de 2009

Canção do Sonho Acabado

Já tive a rosa do amor
- rubra rosa, sem pudor.
Cobicei, cheirei, colhi.
Mas ela despetalou
E outra igual, nunca mais vi.
Já vivi mil aventuras,
Me embriaguei de alegria!
Mas os risos da ventura,
No limiar da loucura,
Se tornaram fantasia...
Já almejei felicidade,
Mãos dadas, fraternidade,
Um ideal sem fronteiras
- utopia! Voou ligeira,
Nas asas da liberdade.
Desejei viver. Demais!
Segurar a juventude,
Prender o tempo na mão,
Plantar o lírio da paz!
Mas nem mesmo isto eu pude:
Tentei, porém nada fiz...
Muito, da vida, eu já quis.
Já quis... mas não quero mais...

Cecília Meireles

domingo, 23 de dezembro de 2007

Qualquer amor







"Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na
loucura". Guimarães Rosa.

"Eu só queria ter um pouquinho de alegria com ela". João Victor.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Felicidade



Felicidade se acha é em horinhas de descuido.


Guimarães Rosa

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Mar

"Era uma vez uma onda que encontrou outra onda, aflita e apressada: 'Aonde é que tu vais tão afobada?' 'Eu vou por aí, em busca do mar...' 'Mas você é o mar!'"

"Nós somos ondas que se esqueceram de que são mar. Daí a busca desesperada promovida pelo mutante para reencontrar, ou melhor, para redescobrir a própria natureza... Tudo o que ele tem de fazer é não fazer nada; simplesmente estar aí, presente e consciente. Só observar, sem buscar nada nem ninguém... Sem que haja alguém para buscar alguma coisa exterior... Se ele mantiver essa atitude, tanto durante a meditação como no cotidiano, um dia, quando menos esperar, de repente, a onda se redescobrirá como mar."

Pierre Weil - Os Mutantes (Uma nova humanidade para um novo milênio)


segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Falta de Armas


Dois caracóis chocaram, de leve, as suas casas, e mexeram tentáculos, um dia inteiro, pedindo-se mil desculpas.

João Guimarães Rosa - Magma - p.74

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Palcos



Vou continuar, é exatamente da minha natureza nunca me sentir ridícula, eu me aventuro sempre, entro em todos os palcos


Clarice Lispector
Perto do Coração Selvagem ao som de “Clariô” Gal Costa 70’s

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Desafinada


O senhor... Mira veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas -- mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior.


Guimarães Rosa, Grande Sertão, Veredas

terça-feira, 15 de maio de 2007

Máscaras

Máscaras não atraem pessoas que amam você, e sim que amam a sua máscara. E quando amamos a máscara, não queremos ver o que está por trás dela... Por exemplo, se você perde um amigo por ter sido verdadeiro com ele, foi porque ele já não era seu amigo, e sim amigo da sua máscara.

"Usamos máscaras para sermos amados, mas são exatamente elas que impedem que isso aconteça. " - Gilbert Brenson

sexta-feira, 11 de maio de 2007

O cavalo preto...

Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse casa dele, e é.

Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela - apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão.

Seu focinho é úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho.

Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave.

Clarice Lispector - Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres

Animal Libertado

Agora lúcida e calma, Lóri lembrou-se de que lera que os movimentos histéricos de um animal preso tinham como intenção libertar, por meio de um desses movimentos, a coisa ignorada que o estava prendendo - a ignorância do movimento único , exato e libertador era o que tornava um animal histérico: ele apelava para o descontrole - durante o sábio descontrole de Lóri ela tivera para si mesma agora as vantagens libertadoras vindas de sua vida mais primitiva e animal: apelara histericamente para tantos sentimentos contraditórios e violentos que o sentimento libertador terminara desprendendo-a da rede, na sua ignorância animal ela não sabia sequer como, estava cansada do esforço de animal libertado.

Clarice Lispector - Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres

domingo, 6 de maio de 2007

Os dois lados da janela

Nunca fui muito boa em separar a vida real, das maquinações
que surgem na minha cabeça.
Nem sei qual é o mundo real?
É o da cabeça?
Eu sempre fui uma perturbação desses dois estados
Esquizofrenia? Genialidade?
Às vezes sou obrigada a ver só o que é real, esquecer as fantasias.
Sair da minha mente
Às vezes saio
Às vezes minto que saí.
E esse mundo é meu, não gosto de dividi-lo, daí nunca querer publicar nada.
Não quero medíocres entrando no meu reino.
Quero esse meu lugar estranho, protegido
A sagrada desordem da minha alma é minha.
Eu a aceito, e a respeito
E tenho que defende-la
Esse mundo dado a todos.
Não quero.
É pequeno e bobo.

Sol indesejado

Este sol que brilha pela minha janela, ilude-me dos meus sentimentos.
Engana-me maliciosamente, como um balde de tinta cobre as fendas de uma parede velha. Mesmo a própria parede encontra dificuldade em se revelar a ela própria.
Assim me sinto eu com o sol...astro maldito e sedutor, cria miragens em tudo que ilumina. És belo, és acolhedor, mas mentes com quantos raios tens.
Se te pudesse amar... talvez entendesse a tua felicidade, mas a minha alma não tolera mais ilusões, além das que eu já vivo.
Aguardo... de persianas fechadas pelo esplendoroso escurecer e pela palpitante chegada da minha doce e fiel lua...

sexta-feira, 30 de março de 2007

Erótica é a Alma

(Adélia Prado)

Pernas entrelaçadas
as minhas, as tuas
sem saber de quem são.
as mãos!

língua aventureira
desvenda meus sonhos
molha minha pele
Tesão!

jogado na cama
passeio em teu corpo
como tua carne
em ritual
Oração!

Eros nos move
Baco nos guia
ao prazer sem pressa
até que eu morra em teus braços
renasça em tua boca.
Para que morras em meu corpo
e renasças
dentro de mim.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Mais uma do Bruno...

Nessa janela tem dois lados;
Um vê a serra;
Outro vê o mar;
Outrora um vislumbra a boa loucura da vida;
De outro se vê sorrisos de felicidade;
Sempre alternando a vida e os olhares;
Essa é a vantagem de se ter dois lados;
Não se importar com casos;
Nem qualquer percalço;
Essa janela de dois lados é a vida
É o amasso;
É um sopro de luz;
É enfiar os pés e as mãos na lama;
É ser simples;
É ser o que você quer ser;
Nesses dois lados não importa o lado;
Cada um vê o que tem em seu coração;
Mesmo os desejos mais secretos são revelados nesses dois lados;
Nesses dois lados, se vê a serra;
Vê-se o mar;
Se vê tudo o que se possa pensar
Nesses dois lados o que importa é amar e ser feliz.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Fases da Lua


Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…


Cecília Meirelles

sábado, 20 de janeiro de 2007

Claricisses...

“Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece.”

(Clarice Lispector, A Descoberta do Mundo)